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Verdadeiro ou falso em tempos de fake news

Jean-Michel Basquiat, no CCBB do Rio de Janeiro, no início de 2019.

A primeira exposição que visitei em 2019 foi Basquiat no CCBB do Rio. Conhecia um pouco do seu trabalho, havia assistido a um ou dois documentários e, simplesmente, eu me deixei enlevar.

Nesse dia, eu parei, me sentei em frente a esses dois quadros de Basquiat e me vi pensando: por que tudo que é falso é associado ao dourado? Passei o mês me lembrando disso, enquanto fazia peças ora em ouro, ora em prata. Está claro que o ouro é um metal nobre – está lá na tabela periódica -, uma matéria cara, um metal precioso. O pessoal da psicologia genética já desvendou a atração pelo brilho. Entretanto, quando vejo um artista como ele usando esse código, tenho a sensação de que a pergunta faz sentido. Há tantas coisas valiosas, porém é sempre o ouro que aparece quando queremos falar de verdadeiro ou falso, novo ou velho. Esse negócio é importante e as joias também.

O tema do blog mudou? Não. Eu mudei? Bastante.

Voltar a escrever um blog que começou há quase 10 anos é difícil. Foram várias tentativas, todas superadas por aulas, palestras, artigos, livros e uma tese. Faz alguns meses que, vira e mexe, vem uma ideia na cabeça ou uma imagem chama minha atenção e tenho vontade de compartilhar, mas nunca parece que são tão interessantes que mereçam o esforço. Ou então vem mais uma e mais outra e ainda uma terceira. Elas parecem vir em avalanche ultimamente. Talvez porque tenha ficado muito tempo quieta. Mais provável que devido ao ritmo que nosso novo apêndice, seja ele regido por iOS ou Android, impõe. Em 3 minutos, o que era importante se torna irrelevante, o que era verdade pode perfeitamente ser uma fake news, o que era genial, alguém já fez, já compartilhou e já perdeu a graça. Para completar, há a pressão de todo mundo que perguntava quando eu voltaria a escrever aqui. E não era só no dia seguinte dos tapetes vermelhos mais importantes, não.

Em meu trabalho, lido com outros tempos. Hoje de manhã, passei uma hora dando polimento numa peça minúscula, bobinha. Trabalhei nela até ficar perfeita. Podia ter gasto uns 10 minutos, mas não. Foi uma hora de relógio, como se diz na Bahia. Tenho ritmos que variam muito. A joalheria exige lentidão. Os negócios exigem velocidade. A vida, vocês sabem, com ela o tempo não para.

Continuarei aqui com meus botões, especialmente durante minhas avaliações de joias de família. Elas ajudam as pessoas a dar um destino legal para seus tesouros e, principalmente, é um jeito que tenho de bisbilhotar as caixas de joias dos outros e de entender os significados das joias.

Então. No que eu mudei? Estou mais experiente e mais desconfiada. Quero fazer mais perguntas do que ter respostas. Quero recriar esse lote na blogosfera. Já não é mais tudo mato. Muita gente apareceu, capinou, plantou e abandonou seu jardim. Se pudesse iria ainda mais para trás e voltaria e escrever cartas, mas vou me contentar em soltar essas postagens por aqui e ver se alguém responde. Tenho a sensação de que trocar ideias e conversar nunca foi tão importante.

Não vou dar as 5 dicas de como comprar sua primeira joia, mas contarei o que observei em quem estava comprando sua primeira peça. Não vai ter selfie posada, mas vai ter foto de joias lindas, dos outros e minhas também. Vocês nunca verão uma lista do que usar e como usar, porque todos devem ser livres para usar o que quiserem e do jeito que quiserem. Talvez uns palpites, de vez em quando. Haverá histórias, muitas histórias, quem me conhece sabe que sou uma contadora de histórias. A ideia de comunidade, de rede está na essência do que quero construir aqui e no ateliê também. Venho ensaiando há anos e já tenho uns brotinhos em diferentes canteiros. Por isso, lançarei ideias para quem gosta de joias, para quem faz joias e vamos ver se florescem no meu lote umas verdades verdadeiras para nós. O objetivo continua o mesmo: enfeitar e entender. Sem pastiches, que parece o tema das duas obras que ilustram esse tão desejado e de alguma forma esperado post.

PS – Vão aparecer uma coisas esquisitas aqui! As ferramentas mudaram tanto que serei obrigada a experimentar tudinho.

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